Ou se preferir que me cale, também sou desses que vive o silêncio suficiente para uma paixão a só.Tenho meus monólogos de homem pertencente aos amores platônicos, ainda que seja uma atitude exacerbada de minha parte julgar o sentimento ao nome do homem questionador, uma vez que a não-correspondência de um olhar não mostra questões algumas, e sim muitas certezas que ficam claras em simplesmente retirar-se do recinto sem olhar pra trás jamais...
Vá entender desses enfermos apaixonados que se dedicam durante décadas a alguém que vai cagando enquanto anda, justificando cada merda caída como as lágrimas que também rolam dos olhos apaixonados...
Quero um pouco mais que isso. A não ser que sua vontade diga o contrário...
Fui ali num desses eventos dos quais não podemos jamais deixar de estar presentes pelo simples fato de que a vida nos aguarda como louca para nos entregar em mãos, a dádiva dos céus de qualquer coisa um pouco mais interessante que a mesmica do dia-a-dia, e assim, estando na inércia do ócio que são algumas de nossas piores tardes, me vi com copos na mão.
Carnes à brasa, amigos faladores, música alta... quem tem o que precisa não reclama quando o excedente se mostra aos olhos.
Corpos assim tão incompletos fazem de mim um eterno sofredor por saber, por ter a certeza, de que em mim está o que falta naquele pedaço de bom caminho. Não ao lado, não às maos atadas, não à corrente ao pescoço, sim por dentro, quiçá as mentes melhores com as más intenções, dentro de saias ou vestidos, ou por que não, as mentes de Platão com o sentimento atolado no coração... de qualquer forma falta-me ali e isso me dói.
Sua imagem não chegara pra trazer o Sol, seu andar não me abalara como nos primeiros tempos, minha vontade não se aguçara como antes quando encontara sua boca perto da minha... na verdade, tinha por dentro já um auto controle que justifico como algo de péssimo gosto para jovens da minha idade. Quis qualquer coisa parecida com aquilo, e se era aquilo que havia, com aquilo ficaria satisfeito...
Só pra me entregar aos fogos do inferno, só pra que Deus bajulasse meu ego, só pra que o Diabo ficasse com inveja ao ver seu inimigo me puxar pelos pés me levando às portas do Paraíso, olhei com outros olhos para Blenda Penedo e tive a completa certeza de que meu auto controle era fajuto, falso, podre, estragado... não fucionava.
Ainda tenho a chance clara de viver meu monólogo, ainda posso conversar comigo mesmo, pensar em mim antes de dormir, sonhar com o reflexo do meu espelho.
Mas a vontade é minha,
e minhas vontades são tão estranhas...
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