quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Justificativas de felicidade para uma quarta à noite

O maior problema de uma mulher é a sua beleza, é sua forma estonteante de beijar, é o brilho de seus olhos assim que uma luz qualquer lá bate e volta de imediato aos meus, humildes e fracos para com perfeições exacerbadas; o maior problema de algumas mulheres é que esse adjetivo que martela em minha cabeça lhes cabe muito bem: exacerbadas.
Mulheres exacerbadas de uma beleza quase infinita, de uma voz quase gritante, de um sussurro mais que prazeroso, de uma malícia e ingenuidade dignas de meu coração, pois Oscar é coisa pequena pra certas mulheres que tomam minha noite como suas, que tomam meus sonhos como suas casas, que fazem do meu pensamento suas moradias temporárias, em competência, permanentes...
Fascínio tenho eu por quase loiras que me ligam sem motivo...
Meus mais sinceros perdões àqueles que escrevem a canção, dedicam a seus amores, cospem melodias tão intensas que jamais poderia eu, em sã consciência, igualar, mas essas horas da noite me permitem ter um pouco mais de audácia e plagiar tais palavras em homenagem ao sentimento que há muito não martela dentro de mim, abaixo de mim, comigo, por mim, em meu peito, ou qualquer outro lugar onde bocas sejam bem vindas, onde caibam o suficiente para enfeitar de prazer as histórias que ficam guardadas, o mínimo de intenções que um objetivo qualquer represente ao autor dessa narração e poderia manter-me vivo pelo resto dos dias a lembrar, dedilhar devasso, cada parte de brilho dessa pele macia que comporta meu corpo, dessa calça apertada que insiste em não querer sair, desse carro barulhento que me instiga tanto quanto aos vizinhos, desse tesão doentio que ainda me deixa com calor...
Talvez não fosse para tanto, talvez não merecesse minhas palavras.
Mas esse talvez, talvez fosse um talvez falso.
E aqui não cabe sequer pingos de falsidade...
Que venham os senhores do destino com baldes de felicidade, venham com enxurradas de prazer, venham com ondas de tesão, tempestades infinitas de beijos, um dos melhores beijos, quiçá se for um dilúvio abençoado tornem-se os melhores beijos...
Que minha boca aceite outras bocas depois dessa sem a infelicidade previsível, pois depois que se conhece a perfeição, qualquer detalhe enjoa as pretensões.
Quis mais... quero mais.
Não consigo me ver adorando cada parte que absorve essa minha vontade naquele corpo esculpido, não posso deixar minhas mãos tocarem cada parte daquele mar de maciez, daquele brilho que salta, não quero mais abrir minha boca pra falar de profissões, e salários, e responsabilidades... o tempo urge, a madrugada chama, o local indaga, e paira a questão: "Está esperando o quê?"
Quis mais... quero muito mais.
E insiste em grudar em mim para nunca sair, esse perfume doce, essa coisa que tem seu sabor e me pego fechando os olhos, errando as palavras por não vê-las pois surge em minha frente novamente o escuro estranho de dois, a paz maravilhosa que nasce quando nos tornamos um, a carne suculenta desse corpo que se faz meu, e parem todas as máquinas, os corações que ainda batem, façam um único minuto de silêncio, exacerbem essa minha vontade, esse meu prazer, dediquem-nos o silêncio perfeito do vai, misturando-se loucamente com o gemido intenso do vem, e me dê seus dentes, crave minha pele sem medo do que eu sinta, diga aos meus ouvidos tudo que precisa, me peça e não faço, mande na minha mão que eu te faço conhecer a dor ingênua do maior prazer...
Nada que se diga pode se comparar ao que acontece.
Toda e qualquer palavra pede perdão a você por não ter expressado com exatidão o que, deveras, és.
Enfim, a tentativa foi plausível.

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